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Mundo Ligeiro
por Rafael Ligeiro |
Barrichello é a peça que falta
Ao menos em 2008, a Toro Rosso espantou o rótulo de equipe de últimas filas do grid na Fórmula 1. Terminou o campeonato na 6ª posição entre os construtores, com 39 pontos. De quebra, ainda conquistou pole position e vitória em Monza, com Sebastian Vettel. Contudo, até o fechamento desse artigo, o time de Faenza era o único da Fórmula 1 com dois cockpits vagos para a temporada 2009. Um, salvo reviravolta histórica, ficará com o jovem e talentoso Sebastian Buemi. Já à outra vaga, sobram nomes: Sébastien Bourdais, Takuma Sato, Romain Grosjean, Lucas di Grassi, Bruno Senna e Rubens Barrichello. Sim, até Rubinho está nessa lista. Aliás, fosse a mim incumbida a função de escolher os pilotos da STR, não teria dúvidas: um deles seria Rubinho. E pelos próximos dois campeonatos. Claro, já devo estar sob a mira daqueles que acreditam que isso é alguma crise de ufanismo por minha parte. Mas a experiência de Rubinho seria uma peça importante à escuderia de Faenza. Peça, aliás, que a equipe ítalo-austríaca jamais teve em três temporadas de existência. Nesse período, o time foi responsável pelo debut de Scott Speed e Sébastien Bourdais no certame. Os outros dois nomes que passaram pelo time, Vitantonio Liuzzi e Sebastian Vettel, tinham pouca experiência em corridas. Liuzzi disputou 4 GPs antes de ingressar na STR. Vettel, apenas 1.
Devemos reconhecer que parte considerável do sucesso da irmã pobre da Red Bull em 2008 foi por conta do excelente rendimento de Sebastian Vettel, especialmente em corridas realizadas sob chuva. O alemão faturou 35 dos 39 pontos do time e marcou presença entre os oito primeiros colocados em 9 dos 18 GPs da temporada. Foram 29 pontos nas últimas 7 provas do ano, marca superior a de pilotos como Robert Kubica (20 pontos), Nick Heidfeld (19), Kimi Räikkönen (18) e Heikki Kovalainen (15). No entanto, a STR não deve se restringir à expectativa do surgimento de mais um talento capaz de levar o carro nas costas. Esses aí vem e vão. Basta pintar convite de equipe de ponta. Agora, com Barrichello, a história é diferente. Ele já encerrou o ciclo em equipes grandes da F-1. Não por falta de talento. Mas sim pela idade. Aos 36 anos, Rubinho não será disputado às cotoveladas por Stefano Domenicalli e Ron Dennis para substituir pilotos 10 ou 12 anos mais jovens. Ainda exibindo muita motivação pelo esporte, Rubinho não teria dificuldades para cumprir 2 anos de contrato na STR.
Sim, lógico que Barrica não se tornou o gênio que o torcedor brasileiro sonhava, capaz de colocar Michael Schumacher no bolso e dar baile em Fernando Alonso. Claro que houve quem tentasse inutilmente criar tal cenário. Contudo, bem longe de julgamentos passionais e da busca para tornar Rubinho um sujeito ideal às necessidades da mídia, fato é que trata-se de um piloto competente, que desempenhou bom serviço por todas as equipes que passou. Nos tempos de Ferrari, além de 9 vitórias e 55 pódios, chegou até a ver acertos que encontrou para o carro pararem no bólido de Michael Schumacher. É um piloto que trabalha em equipe, algo nem tão fácil de encontrar na F-1. Nesse sentido, seria interessante vê-lo colaborar na criação e desenvolvimento do STR que vai às pistas em 2009. Dois ingredientes fazem do time de Faenza potencial presença na disputa por pontos constantes nas provas de Fórmula 1. Primeiro: um motor Ferrari que empurra muito bem. Segundo: os carros são rabiscados por Adrian Newey, um dos maiores projetistas no cenário mundial de competições automobilísticas. Agora, imagine o quanto Rubens Barrichello, um piloto com 16 temporadas de F-1, poderia colaborar com comentários técnicos sobre o carro desde os primeiros testes? "Olha, isso aqui fica melhor assim", "Se mudar isso podemos ganhar uns 2 décimos de segundo naquele trecho da pista"...
Mais que o quesito técnico, penso no quanto um piloto experiente como Rubinho poderia auxiliar a um companheiro de equipe jovem e promissor, mas ainda sem boa quilometragem na F-1. Tome Sebastian Vettel por exemplo. O que Bourdais acrescentou à carreira de Vettel ao longo de 2008? Nada. É claro que o francês veio de uma categoria bem diferente da F-1 e até que não decepcionou na temporada 2008. Contudo, com Barrichello, o alemão discutiria sobre ajustes com alguém que possui know-how bem maior ao do Bourdais.
O pessoal de Faenza não precisa "repatriar" Juan Pablo Montoya. Basta escalar Rubinho e um jovem bom de braço para 2009. Um enfia o carro nas costas e faz bonito até a quadriculada. O outro usa a experiência na categoria para incrementar a competitividade de um projeto dotado de bons ingredientes. |